Major Tom to Ground Control

de julho a outubro de 2013
de Dimitri Lee

Numa referência à musica de David Bowie, Major Tom to Ground Control é uma exposição do fotógrafo Dimitri Lee. A mostra reúne dois trabalhos inéditos: o mosaico A busca infrutífera de mim mesmo, e a série de retratos falados recriados, Acha-se.

O mosaico é o resultado do envio de uma caixa de Sedex vazia, transformada em câmera fotográfica, de São Paulo para a cidade de Óbidos, no Pará, endereçada para o próprio fotógrafo. No trajeto de ida e volta (a caixa voltou após não encontrar seu destinatário), foram capturadas 10 mil fotos durante um mês – no Carnaval de 2012. Destas imagens, 150 compõem a obra final.

“Adaptei uma lente de observação de vida selvagem na caixa, impossível de ser vista, programada para fotografar a cada 5 minutos”, conta Dimitri. “Meu objetivo nos dois trabalhos é protestar, discutir a questão da autoria, da fotografia sem fotógrafo, com pessoas que não existem, com um filme já extinto”.

Já os 10 rostos que compõem a série de retratos falados foram realizados a partir de um banco de dados de software da polícia, utilizado para escolher formatos de rostos, olhos, narizes, cabelos, bocas e outros detalhes em investigações e buscas. Dimitri somou ainda outro “truque” em sua pesquisa, através de um programa que emula textura, cor e outras características de filmes da era analógica. Para o curador da mostra, Iatã Cannabrava, não por acaso o autor escolheu um filtro que emula o Kodachrome, filme que fez mais de 50 anos de sucesso e deixou de ser fabricado há três anos. O filme que não existe se tornou parte final do processo.

Dimitri Lee, que sempre achou grotescos os retratos falados, queria utilizá-los em um trabalho para criar pessoas que não existem, numa celebração das possibilidades contemporâneas da fotografia eletrônica.

Iatã Cannabrava

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Dimitri Lee

Trabalhou nos estúdios da Editora Abril entre 1978 e 1980. Em 1981 abriu estúdio próprio e começou a atuar com publicidade, atendendo as principais agências do Brasil. Em 2000, inicia projetos pessoais com uso de formato panorâmico. Muitas de suas séries são fotografadas com filme de grande formato. Participou das exposições no MASP, Galeria Paparazzi, Caixa Cultural Rio, Caixa Cultural Brasília, Cinemateca Brasileira e MIS – Museu da Imagem e do Som.

diariodocomercio

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