Postais para Charles Lynch

 

Coletivo Garapa
De 11 de dezembro de 2015 a 1 de fevereiro de 2016

 

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No dia 11 de dezembro de 2015, o Madalena Centro de Estudos da Imagem apresentou a exposição “Postais para Charles Lynch” do coletivo Garapa. Através do desenvolvimento de trabalhos que exploram as fronteiras entre o documental e a ficção, a fotografia, o vídeo e a literatura; dedicou-se a pensar e produzir narrativas documentais, integrando distintas linguagens e plataformas.

Este trabalho propõe um paralelo entre imagens de linchamentos veiculadas hoje na internet e os postais que circulavam pelos EUA no início do século 20, disseminando imagens de execuções realizadas em sua maioria por fazendeiros e milícias racistas. Tal tema se deve ao fato de que no Brasil, em 2014, de janeiro a maio, pelo menos 38 pessoas foram vítimas de linchamentos.

Esse período é delimitado por duas imagens emblemáticas: na primeira, um adolescente tem o pescoço preso a um poste com um cadeado de bicicleta; a segunda, um retrato falado que desencadeou o linchamento brutal de uma dona de casa, acusada erroneamente de sequestrar crianças para rituais satânicos. Ambas têm em comum, além da violência que suscitam, o fato de terem circulado primordialmente pela internet, como circulam também os milhares de registros de linchamentos publicados no YouTube e que compõem a base da pesquisa de Postais para Charles Lynch.

A pesquisa é resultado de uma série de perguntas: em que medida a superexposição às imagens atrozes nos afeta em relação aos eventos registrados? Esse afetar acontece no sentido da ação ou da imobilidade, da memória ou do apagamento? Se a torrente de imagens da violência é inelutável, como então lidar com ela de forma crítica, de forma a combater a anestesia? Por fim, como conjugar, no trabalho artístico que se debruça sobre o tema, uma dimensão documental a uma camada estética? Tudo se resume a olhar de frente – como disse Drummond, penetrar surdamente no reino das palavras (e das imagens, por que não?). Decifrar os códigos. É nessa chave que se inscreve Postais para Charles Lynch.

Durante meses, foram reunidos uma extensa coleção de vídeos, dos quais foram  extraídos quadros estáticos e comentários de ódio; estes, inseridos nos códigos das imagens, geraram um glitch, uma interferência em sua estética e inteligibilidade. Com abertura no dia 11 de dezembro (sexta-feira) a partir das 19h30, a exposição “Postais para Charles Lynch” propõe um processo de pesquisa e criação e busca ampliar o debate em torno da violência, das suas representações visuais e do papel da arte nesse contexto.

 

 

Mais sobre o projeto neste link

Veja o making of  neste link

Veja o fac-símile do livro neste link

 

 

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