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FINANCIAMENTO COMO LINGUAGEM | Leonardo Brant

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Foto Felipe Cohen

Na hora de fazer um filme, o que vem primeiro: o dinheiro ou a criatividade? Vou tentar colocar de outra maneira: devemos medir o poder da criatividade pelo tamanho dos recursos disponíveis? Ou ainda o refrão: não falta dinheiro no mercado, o que faltam são grandes ideias.

A verdade é que a tensão e a diferença entre o que se pretende fazer como ideia original e o que se consegue realizar, levando em conta os recursos disponíveis, continua sendo muito grande. 

Mas não podemos negar que na sociedade capitalista o tamanho do projeto é sempre medido pelo volume de recursos que ele consegue levantar. Mas esse lógica não funciona necessariamente para o filmmaker… 

Não estou tentando transformar a figura do filmmaker, uma espécie de artesão da imagem, em um herói, um ser destemido que consegue resolver todos os dilemas com o poder mágico de sua câmera. Muito pelo contrário. O jeito maker de fazer filmes é, antes de tudo, desafiador e complexo. E compreende, de saída, a estratégia de financiamento conjugada ao desenvolvimento criativo.

As ferramentas de financiamento à disposição do filmmaker são inúmeras e precisam ser melhor exploradas e apreendidas em meio ao turbilhão de ideias e propostas estéticas e de linguagem. Ou seja, a proposta desse artigo é justamente fazer um exercício de incorporação do financiamento como processo criativo do filme.  

Mais do que fazer o possível com o recurso disponível, é preciso superar, fazer mais com aquilo que temos à nossa disposição. E isso passa, em primeiro lugar, por reconhecer os recursos não financeiros como peças fundamentais para a execução de um projeto audiovisual. O capital social, as redes, o conhecimento, a propriedade intelectual e os demais ativos de uma produção cinematográfica precisam ser melhor trabalhados criativa e economicamente. Em uma palavra, precisamos trabalhar algo que a produção cultural brasileira esqueceu há muito tempo: o público. 

O grande volume de subsídios que o mercado brasileiro dispõe acaba atrofiando o espírito empreendedor do filmmaker, tornando-o um agente passivo, limitando sua movimentação de mercado para os espaços onde o subsídio alcança. Mas a verdade é que o poder público é responsivo, só chega naqueles ambientes de mercado que já estão estabelecidos e que exercem pressão política. Ou seja, onde não há mercado de verdade, aquele ambiente em que uma parte investe em um produto ou serviço e a outra compra. Com o Estado no meio, essa relação se dilui ou simplesmente se esvai. 

Não estou querendo com isso criticar o financiamento público ao audiovisual, apenas estou constatando a sua lógica e funcionamento. Tampouco venho reivindicar novos subsídios para setores e práticas não abarcadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual. Pelo contrário, estou atrás de oceanos azuis, lugares onde os tubarões não estão nadando e o poder público não vem regular nem subsidiar. A nossa conversa aqui é sobre inovação em modelos de negócios. 

E a verdade é que temos uma gama enorme de possibilidades de mercado que surgem a cada dia, como a febre dos cursos on line, os tutoriais, as plataformas de video on demand, o financiamento coletivo. São tantas opções de monetização, que vale a pena ligar a antena para essas e outras novas possibilidades de desenvolvimento de público. Principalmente quando a autonomia e a independência dos criativos está em jogo.

A questão que mais amarra no sistema dos editais e convocatórias é o tempo de espera e dedicação ao calendário de terceiros, sejam órgãos públicos ou agentes privados que detém poder de decisão. Não se pode subordinar a agenda criativa ao período e aos prazos de funcionamento dos editais, sem contar as incertezas de aprovação e a dor de cabeça com a burocracia, além dos custos implicados nisso tudo.

Não estou sugerindo abandonar a Ancine, feito um filho rebelde. A proposta é utilizar as ferramentas de financiamento público de maneira estratégica, investindo tempo também em inovação, em novos modelos de negócios, ainda que para fracassar e aprender com o processo. Isso tudo faz parte quando se pretende construir relações com o público, sobretudo quando este está esquecido, inativo, adormecido. 
 A questão mais importante para criar esse forte elo de ligação entre o financiamento e o criativo é o processo. Por que não criar um filme sem saber como financiá-lo? Por que não experimentar todas as formas e possibilidades de execução de um projeto? Por que não pensá-lo como um laboratório para criar novas possibilidades de linguagem e de mercado?

Foi com essa filosofia (e porque não dizer atrevimento) que criamos o filme #PAULISTA360, o financiamento coletivo para bancar esse processo criativo e o curso de imersão que funciona como um work in progress.

Queremos colecionar aprendizados e compartilhá-los com um novo público, que não é simplesmente seguidor. É co-criador. Porque acreditamos que o mercado audiovisual é mais potente do mundo, porque não temos fronteiras nem formatos pré-determinados para alcançá-lo.

Estamos falando do mercado que mais cresce no país, além de ser o mais disruptivo e agregador de todos (não custa lembrar que Netflix e YouTube são plataformas muito recentes), pois fala todas as linguagens sobre todos os assuntos e gostos.

Venha fazer parte desse processo!

Clique aqui e conheça o projetO #PAULISTA360 no Catarse. 

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(matéria do site – https://www.leonardobrant.com/single-post/2017/05/19/FINANCIAMENTO-COMO-LINGUAGEM)

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